15 de maio de 2011

Triste e Alegre



A festa tinha tudo para ser divertida. Mesmo com o convite em mãos, algo dentro dela dizia que nada seria assim tão simples, tão fácil. Ela se arrumou, nada muito chamativo ou fora dos seus padrões clássicos: calça jeans, aquela blusinha comprada no brechó do centro que sempre cai bem quando não se sabe o que usar, um sapatinho para dar folga ao tênis, cabelos soltos, uma leve maquiagem para deixar a cara embaçada de todos os dias com um pouco mais de cor. E saiu. Atrasada, muito atrasada. Ligações e mensagens dos amigos que já estavam na festa bombardeavam seu celular. E as respostas-padrão na ponta dos dedos: "Atrasei", "tô chegando", "a culpa é do ônibus"... Já na porta do salão onde a festa corria solta, seu coração bateu mais forte. Alguma energia, vinda não sei de onde, fez com que Ela pensasse "É isso mesmo que você quer? Ainda dá tempo de desistir. Pensa aí.", e ela, cheia de coragem, mais uma vez deixou a razão falar mais forte que a intuição e entrou na festa. Ela queria saber o que estava por vir.

Triste: Quando estava no meio das pessoas, procurando seus amigos que ainda mandavam mensagens e ligavam insistentemente, Ela se deparou com a melancolia nos olhos de pessoas que Ela gostava tanto, assim como sentiu um frio na espinha ao ser destruída e devorada por olhos de Inveja, revestidos pela sombra de uma energia negativa vinda de quem Ela jamais gostou, mas que nunca teve coragem de revidar, por achar isso um tanto medíocre. Ela já aprendeu que é preciso ignorar tais momentos, mais isso não é fácil nem pra ela, nem pra você, nem pra mim, nem pra ninguém. Ali Ela foi magoada, esquecida, confundida, deixada... mas não contou pra ninguém e fez de um tudo para não se deixar abater. Mas Ela ficou Triste.

Alegre: Quando achou seus amigos, percebeu que a tristeza tinha sido momentânea, que, ao lado deles tudo se ajeitava da melhor maneira. Ao lado deles Ela sorriu muito, brincou, desabafou. Descobriu, realmente, sinceros e verdadeiros amigos. Daquele momento até o final a festa, sim, Ela esteve Alegre.

Ela sabia, desde que colocou os pés para fora de casa naquela tarde de sábado, que não deveria ter saído de casa, mas insistiu nessa ideia, quase fixação. Ela aprendeu que é preciso ver pra crer, é preciso dar a cara a tapa e ainda oferecer a outra face, se possível, com um sorriso lindo no rosto. Bem aventurados os amigos dela que sempre lhe disseram a verdade e, se Ela os escutasse e os levasse um pouco mais a sério, não precisaria passar por muitas situações complicadas e desnecessárias. Envolvida em tristezas e alegrias, Ela foi para casa. Não dormiu muito bem, a festa passava em sua mente com as cenas dos melhores e piores momentos. Na manhã seguinte, mesmo com o céu lhe sorrindo azul, Ela acordou nem Alegre, nem Triste, nem arrependida, nem na vontade. Ela acordou diferente. Ela acordou e entendeu que um único sentimento não dura por muito tempo na vida de ninguém. Assim como diz aquela música que Ela cantou com os seus amigos durante a festa, sempre existe o momento que se fica Triste... Alegre... se fica Triste... Alegre... se fica Triste... Alegre...

Nenhum comentário:

Postar um comentário