14 de janeiro de 2012

Paixões

Já que o assunto foi único na minha semana e, na loucura de papéis, tive a sorte que reencontrar a folha amarelada com esse texto, resolvi postar aqui pra guardar, pra alguém ler...

Sei que li esse texto nesse link (http://www.dihitt.com.br/noticia/paixoes#lermais) que, por sua vez, encontra-se inativo... Mas valeu a pena ter guardado...

PAIXÕES
                  Max Costa

À musa inspiradora dos sonetos de amor.

Como, quando e porque, ninguém sabe! A única coisa que se descobriu - depois de sucessivas paixonites e alternadas fossas Byronianas - é que sempre começam bem no meio do de repente. Têm algumas que são clássicos de domínio público, exemplo: Aluna pelo professor e vice versa, a coroa pelo garotão; o garotão pela cunhada, as paixões de fim-de-semana, as de verão, do carnaval, as de estâncias turísticas, de moça beata pelo padre novato, e... 

Mas, todas, - sem exceção - começam, de repente! De repente, no despertar da adolescência; o garoto - cheio de incômodas espinhas reveladoras - fica estático, hipnotizado por aquela garota maravilhosa do primeiro ano do ensino médio; o cabelo lindo, aquele olho lindo, aquela boca linda, enfim... Maravilhosa! Viva toda a estratégia da mãe natureza! O modo - supostamente recatado - como encosta os livros sobre os seios, (visivelmente aumentados pelo primeiro sutiã) denunciando sua inevitável e maravilhosa condição feminina, em plena ascendência hormonal. 

De repente, na paixão desenfreada pelo líder de uma banda de roque que ela jamais verá; e que só conheceu naquela semana, porque ele surgiu - de repente -nas revistas e álbuns do gênero. Ou, na nada repentina carícia demorada do toque absolutamente suado e trêmulo de nossas mãos apavoradas, bem no meio da platéia às escuras, naquele festival de teatro amador, ao qual fomos em caravana. Ou, de repente dentro do ônibus coletivo - quase na hora de descer - ela falando sem parar, de como o namorado a despreza, apesar de seu esforço para demonstrar-lhe amor; de repente, um beijo! "Toma meu telefone" e... Ficamos!Têm também as paixões que permanecem recolhidas por anos e, um belo dia - é, assim, de repente - "eu te amo!" 

Pronto! Altares esquecidos, juramentos quebrados, vidas desfeitas, para se viver o grande amor reprimido por inúmeras convenções da velha hipocrisia social.É verdade que, a imensa maioria das paixões que se enquadram no quadro acima morrem,sufocadas no silêncio comodista das conveniências; e viram zumbis emocionais; sentimentos mumificados, arrastando eternas correntes dentro do insaciável coração figurativo; que paixão mal resolvida, é como diabetes, você só se livra dela quando morre!

Algumas são tão anticonvencionais quanto avassaladoras; como aquela com a colega de trabalho simpática e bonitona que se conhece a anos mas, com quem nunca se teve muito contato até que, um dia - sabe Deus porque - numa confraternização qualquer de fim-de-ano, vocês se olham, sorriem, dançam juntos e...Pá! Se descobrem, apaixonados! Aí é aquele festival de "love songs" no MSN, miríades de torpedos no celular e, flores, chocolates e cartões de presente; cinco banhos diários - principalmente de perfume -e uma hora-e-meia de tortura em frente ao espelho para escolher a roupa íntima ou a camisa que melhor combine com que calça; tudo no louco afã de impressionar o objeto do escravo amor escravagista. 

Até que num dia cinzento de fim-de-paixão - seja pela inconveniência estúpida do falatório dos colegas, ou, simplesmente pelo aparecimento de outra paixão ainda mais encantadora - um deles se cansa daquele "faz-de-conta-que-eu-te-amo" e diz: "Chega! Não quero mais! Aah! Aí é aquela baixaria de mil noites sem dormir; alma penada, escrevendo mil cartas de amor magoado, que nunca serão enviadas; febres de quarenta graus; greves de fome e fingidas tentativas de suicídio! 

Mas, ô bicho sádico e mesquinho, essa tal de "paixão-proibida" travestida de amor fatal! Ah! O eterno, lindo e dolorido amor inventado, sem o qual - graças a deus! - a vida da grande maioria de nós, não faria o menor sentido; seria mais ou menos como uma ostra sem pérola, não serve pra muita coisa, além de - quando muito - ser devorada. 
Isso tudo sem falar das inevitáveis e platônicas paixões desenfreadas dos poetas, esses românticos incorrigíveis e hospedeiros crônicos de uma incurável carência; como eu! (E olha que não falo só por mim, não). Agora, havendo a constatação "racional" - se é que isso é possível - de que tal amor, não tem a mínima possibilidade de realização, bem, o remédio é, esquecer... 

E receita infalível para amor não correspondido tem, meu confrade Lino Barbosa, Caxiense da gema, honorável membro da confraria dos cachacistas militantes:Compor uma música bem romântica, ou, escrever meia dúzia de sonetos; um belo porre no fim-de-semana, trancado no quarto, ouvindo Roberto Carlos, Maria Bethânia, ou coisa que os valha e...

Pronto! Passada a carraspana, estará exorcizado para sempre, o desgraçado amor platônico. E de certa forma também este autor, exorciza aqui, suas vividas, pretensas ou possíveis paixões. E na segunda-feira, o insaciável coração vazio - essa fera onívora - recomeça sua busca por novas emoções, decepções e...Paixões!

23 de novembro de 2011

(...)


O teu desejo é o meu melhor prazer
Ele continuava deitado, em silêncio, olhando aquela lâmpada acesa, reparando cada sombra que ela fazia no teto branco daquele quarto quanto de paredes amarelas repleto de fotos dela sempre sorrindo ao lado dos amigos. E pensando que poderia ter uma foto dele por ali, talvez até marcada por um beijo apaixonado de um batom vermelho.
Ela que cochilava encostada no peito dele, de repente acordou como se tudo que tinha acontecido anteriormente tivesse sido apenas um sonho.
_Você já tinha pensado nisso antes?
_Nisso o que? – disse ela ainda sonolenta.
_Em nós dois aqui, assim, juntos no seu quarto.
_Hum, não sei, talvez sim. E você, chegou a pensar em nós dois juntos no meu quarto? – disse ela sorrindo com um sutil ar de deboche.
_Sim! E aconteceu tudo como eu imaginava.
_Sério?! 
_Assim, é meio difícil de explicar, é idiota, na verdade. Mas é como se fosse um Deja vu, uma novela... É como se eu estivesse escrito a história e agora, na vida real, eu esteja revisando cada capítulo e aprimorando o que eu imaginei. Agora eu faço acontecer do jeito que eu quiser.
Quando ele disse isso, ela se calou, se deitou no peito dele novamente, mas não se forma aconchegante com antes. E ele percebeu a diferença.
_Agora essa cabecinha boba deve tá achando que eu sou o Chapolin Colorado com movimentos friamente calculados, e que penso só em mim, no que eu quero ter e essas coisas, né?
Era exatamente nisso que ela pensava!
_Deixa eu te explicar melhor. Quando eu disse novela, não foi em tom de ironia, foi uma força de expressão, linda! Vem cá, olha pra mim...
Ela, com certo desdém, levantou o corpo e se virou de frente pra ele, naquele momento olho no olho. 
_Eu queria tanto te ver, escutar sua voz baixinho no meu ouvido, te olhar nos olhos, te encher de beijos. Há quanto tempo eu sonhava com isso... eu anotava tudo que eu queria fazer com você, tudo que eu queria te falar e eu sei que você fez a mesma coisa. Eu ficava tão angustiado com isso que começa a sonha acordado, achando que mais cedo ou mais tarde você ia aparecer na minha frente, no meu escritório, na minha casa, no bar, no cinema, conversando com a minha mãe...
Ela riu nesse momento. E ele continuou:
_Eu queria tanto ter você por perto que comecei a ficar louco. Sonhava com nossos beijos, abraços, nossas declarações das mais suaves às mais safadas, dessa nossa vontade súbita um do outro.
Ela parecia admirada com cada palavra que ele dizia.
_Você me estudou durante esse tempo todo, é isso?! Escreveu o meu Manual de Instruções praticamente...
_Quer que eu comece a falar por onde? Pontos fortes? Fracos? O beijo no pescoço, quase no ombro direto que te amolenga? O abraço na cintura que te arrepia? Cafunés no cabelo firmes e feitos na hora certa? Olha sua boca e essa covinha enquanto você fala só pra te fazer perder o raciocínio?...
_Se tá assim tão expert quando o assunto sou eu, me diz o que eu tô pensando e o que eu quero fazer agora.
_É um desafio?
_Pode se tornar um.
_Eu não sou O Astro, mas vou tentar. Você tá pensando em virar seu corpo todo de vez pra frente do meu, vai me olhar bem no fundo dos olhos e vai me encarar sem piscar...
Nesse instante, ela pensou “que merda, ele tá acertando tudo”.
_Você deve tá com muito ódio porque é isso mesmo que você quer fazer e eu adivinhei! Vai passar uma das pernas por cima de mim e vai me prender pela cintura com os joelhos. Boba! É lógico que eu não quero sair daqui!
Na medida em que ele falava, ela fazia. Eram palavras, movimentos, sensações sincronizadas.
_Agora você vai pegar as minhas mãos e vai colocá-las na sua cintura. Eu olho pro seu sutiã, louco pra tirá-lo, mas você me recrimina com uma olhada muito feia! Joga os cabelos pra trás. Vem mais pra perto de mim, vem! Vem com esse sorriso de menina, exalando esse cheio de mulher misturado com esse perfume de pimenta que me esquenta dos pés a cabeça e sussurra no meu ouvido nem assim:
_Você não adivinha e nem lê os meus pensamentos. É você quem escreve e realiza todos eles. – disse ela e, em seguida, mergulhou outra vez naquele sonho-amor, enquanto Marisa Monte cantava no rádio-relógio em cima da estante: 
“Que eu quero sentir o teu corpo pesando sobre o meu. Vem, meu amor! Vem pra mim, me abraça devagar, me beija e me faz esquecer...”

21 de novembro de 2011

O que eu precisava ler hoje...

"Se você está sofrendo por causa de um amor perdido, eu tenho más notícias: não há nada que você possa fazer. E não há ninguém que possa ajudar. Na melhor das hipóteses, você vai ter um amigo paciente pra levá-lo a um bar e ouvir suas queixas e, eventualmente, buscar você em um bar e leva-lo pra casa com segurança, nos dias que você se comportar feito um bobo. Na verdade, até existe alguém capaz de curar sua dor, mas esse alguém não costuma ter pressa: ele se chama tempo.
Portanto, procure levantar sua cabeça, e dar um passo adiante, por menor que seja, porque você ainda tem um longo caminho a percorrer dentro desse inferno. Ter pena de si mesmo não vai ajudar em nada, e por mais que você que não acredite, eu posso garantir que você sente algum prazer em cultivar esse sofrimento. Sim, estar triste é uma forma de exercer a paixão, quando o alvo dessa paixão já se foi. Você está usufruindo o seu direito de viver eternamente apaixonado. Isso é ótimo, prova que você é um romântico. Mas, coisas ótimas não costumam ser baratas, e você tem que pagar seu preço.
Em algum momento, tudo isso vai passar. E nesse caso, quando o furacão for embora, ele não deixará destroços. Tudo estará no seu devido lugar como se nada tivesse acontecido. Você vai recuperar suas noites de sono. Vai se sentir revigorado, vai tá feliz consigo mesmo, vai levantar sua auto-estima. Você vai tá pronto pra entregar seu coração à outra pessoa, mesmo correndo o risco de parti-lo em mil pedaços novamente, porque o amor... sempre vale a pena."

Você fala que eu te escuto

E você queria que eu fizesse o que? Cedo ou tarde me vem alguma lembrança dele, e aí? 


Não sei por que você se martiriza tanto por gostar dele...


Eu não tenho como explicar o que vem acontecendo, o que tô sentindo... Não sei o que passa dentro daquela cabecinha, ainda mais porque ele some quando o bicho pega, quando tá quase tudo jogado na cara um do outro!


Eu sei. Você gosta dele e sente um monte de coisas, mas assim como isso aconteceu sem explicação, não tem razão para querer achar explicação agora. E você quer motivos pra que?


É muito sonho pra pouca realidade.



7 de novembro de 2011

Acabou


E, finalmente, acabou.
Achei que doeria mais, que seria mais complicado do que realmente foi.
Achei que ocorreriam outras tentativas, outras recaídas, mas nada disso aconteceu.
Pensei num telefonema, que não houve. Talvez uma mensagem, que nunca chegou. Mas foi melhor assim.
Não sou daquelas que procuram Príncipes, mas você é daqueles que sempre preferem as Próximas. Não formaríamos um Par.
Engraçado é pensar que deixaria você tomar conta dos meus passos, não como um dono, mas como um parceiro, um amigo, um cúmplice, com quem eu pudesse contar em todos os momentos. Pensei em somar as minha ideias mais loucas com as suas e lutar pra realizá-las... doce ilusão...
Eu realmente não sabia nada de você e como sofri com isso. Tenho raiva de mim pelos momentos de fraqueza, perdendo meu tempo com algo sem futuro. Mas, ainda bem que existe a Realidade, os Amigos, fiéis e Queridos Amigos, que jogam na nossa cara uma das mais velhas frases que nunca queremos ouvir: ELE NÃO TE MERECE!
E te digo, dói muito ouvir, ainda mais quando sabemos que é verdade e que não queríamos que fosse. Este momento de perda – afastamento – luto não é fácil.
Mas, agora é arrumar a casa, arrumar minha vida, arrumar o coração, quem sabe ele “corre o risco de encontrar alguém” pelo acaso, na rua, no ônibus, num bar... quem sabe já haja alguém por perto, melhor, mais digno, que me queira bem, que me respeite, coisa que você não fez.
Tenho me sentido meio Fênix, que renasce mais forte, sem medo... 
E é assim que me sinto, mas não uma outra mulher, sim a mesma, recuperada de feridas, queimaduras, dores diversas.
Teria mais o que te dizer hoje, principalmente depois desses 365 dias, mas acho que o que importa é dizer que, por incrível que pareça, não vou te rogar nenhuma praga (por mais que você mereça!), não te desejo nenhum mal, nem vingança, nem que você morra, nem que tudo que você me fez te volte em dobro. 
A vingança não leva a nada!
Ah, quando me ver na rua pode me cumprimentar. Eu não mordo. Ainda! rs

2 de novembro de 2011

Mensagem




Maria Bethânia
Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude, nem sei como pude chegar ao portão
Lendo o envelope bonito, o seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia "Estou farto de ti"
Porém não tive coragem de abrir a mensagem porque, na incerteza, 
Eu meditava, dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei para não sofrer mais...


Todas as cartas de amor são ridículas,
Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas
Também escrevi, no meu tempo, cartas de amor como as outras, ridículas
As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas
Quem me dera o tempo em que eu escrevia, sem dar por isso, cartas de amor ridículas
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.


Porém não tive coragem de abrir a mensagem porque, na incerteza, 
Eu meditava, dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha ou mentira risonha uma carta nos traz
Assim pensando, rasguei sua carta e queimei para não sofrer mais...


Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva, no escaninho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil

20 de outubro de 2011

S_ _ _ _ _ _


Saudade de você.
Saudade de conversar contigo sobre qualquer besteira. 
Saudade de ouvir você dizer que a sua mãe faz a melhor comida do mundo, enquanto eu defendia a comida da minha mãe com garfos, facas e colheres.
Saudade de saber como foi o seu dia e de contar o meu.
Saudade de tentar resolver ou amenizar os seus problemas.
Saudade de fazer cachinhos no seu cabelo...
Saudade de ver você desfazendo os meus...
Saudade de ver futebol do seu lado e reclamar do juiz que protege os times do Rio e de São Paulo.
Saudade de acordar com um telefonema seu de “Bom dia!”.
Saudade das mensagens de “eu também te amo” durante as minhas aulas intermináveis.
Saudade do “dorme bem, meu anjo” antes de dormir.
Saudade de receber suas cartinhas pelo correio.
Saudade do seu cheiro nessas cartinhas...
Saudade dos seus emails em todas as horas.
Saudade da felicidade que eu sentia quando tinha você do meu lado.
Saudade.
Nada mais que Saudade!