2 de novembro de 2011

Mensagem




Maria Bethânia
Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude, nem sei como pude chegar ao portão
Lendo o envelope bonito, o seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia "Estou farto de ti"
Porém não tive coragem de abrir a mensagem porque, na incerteza, 
Eu meditava, dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei para não sofrer mais...


Todas as cartas de amor são ridículas,
Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas
Também escrevi, no meu tempo, cartas de amor como as outras, ridículas
As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas
Quem me dera o tempo em que eu escrevia, sem dar por isso, cartas de amor ridículas
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.


Porém não tive coragem de abrir a mensagem porque, na incerteza, 
Eu meditava, dizia: "será de alegria, será de tristeza?"
Quanta verdade tristonha ou mentira risonha uma carta nos traz
Assim pensando, rasguei sua carta e queimei para não sofrer mais...


Quanto a mim o amor passou
Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições
Conserva, no escaninho da alma, a memória de seu amor antigo e inútil

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