23 de novembro de 2011

(...)


O teu desejo é o meu melhor prazer
Ele continuava deitado, em silêncio, olhando aquela lâmpada acesa, reparando cada sombra que ela fazia no teto branco daquele quarto quanto de paredes amarelas repleto de fotos dela sempre sorrindo ao lado dos amigos. E pensando que poderia ter uma foto dele por ali, talvez até marcada por um beijo apaixonado de um batom vermelho.
Ela que cochilava encostada no peito dele, de repente acordou como se tudo que tinha acontecido anteriormente tivesse sido apenas um sonho.
_Você já tinha pensado nisso antes?
_Nisso o que? – disse ela ainda sonolenta.
_Em nós dois aqui, assim, juntos no seu quarto.
_Hum, não sei, talvez sim. E você, chegou a pensar em nós dois juntos no meu quarto? – disse ela sorrindo com um sutil ar de deboche.
_Sim! E aconteceu tudo como eu imaginava.
_Sério?! 
_Assim, é meio difícil de explicar, é idiota, na verdade. Mas é como se fosse um Deja vu, uma novela... É como se eu estivesse escrito a história e agora, na vida real, eu esteja revisando cada capítulo e aprimorando o que eu imaginei. Agora eu faço acontecer do jeito que eu quiser.
Quando ele disse isso, ela se calou, se deitou no peito dele novamente, mas não se forma aconchegante com antes. E ele percebeu a diferença.
_Agora essa cabecinha boba deve tá achando que eu sou o Chapolin Colorado com movimentos friamente calculados, e que penso só em mim, no que eu quero ter e essas coisas, né?
Era exatamente nisso que ela pensava!
_Deixa eu te explicar melhor. Quando eu disse novela, não foi em tom de ironia, foi uma força de expressão, linda! Vem cá, olha pra mim...
Ela, com certo desdém, levantou o corpo e se virou de frente pra ele, naquele momento olho no olho. 
_Eu queria tanto te ver, escutar sua voz baixinho no meu ouvido, te olhar nos olhos, te encher de beijos. Há quanto tempo eu sonhava com isso... eu anotava tudo que eu queria fazer com você, tudo que eu queria te falar e eu sei que você fez a mesma coisa. Eu ficava tão angustiado com isso que começa a sonha acordado, achando que mais cedo ou mais tarde você ia aparecer na minha frente, no meu escritório, na minha casa, no bar, no cinema, conversando com a minha mãe...
Ela riu nesse momento. E ele continuou:
_Eu queria tanto ter você por perto que comecei a ficar louco. Sonhava com nossos beijos, abraços, nossas declarações das mais suaves às mais safadas, dessa nossa vontade súbita um do outro.
Ela parecia admirada com cada palavra que ele dizia.
_Você me estudou durante esse tempo todo, é isso?! Escreveu o meu Manual de Instruções praticamente...
_Quer que eu comece a falar por onde? Pontos fortes? Fracos? O beijo no pescoço, quase no ombro direto que te amolenga? O abraço na cintura que te arrepia? Cafunés no cabelo firmes e feitos na hora certa? Olha sua boca e essa covinha enquanto você fala só pra te fazer perder o raciocínio?...
_Se tá assim tão expert quando o assunto sou eu, me diz o que eu tô pensando e o que eu quero fazer agora.
_É um desafio?
_Pode se tornar um.
_Eu não sou O Astro, mas vou tentar. Você tá pensando em virar seu corpo todo de vez pra frente do meu, vai me olhar bem no fundo dos olhos e vai me encarar sem piscar...
Nesse instante, ela pensou “que merda, ele tá acertando tudo”.
_Você deve tá com muito ódio porque é isso mesmo que você quer fazer e eu adivinhei! Vai passar uma das pernas por cima de mim e vai me prender pela cintura com os joelhos. Boba! É lógico que eu não quero sair daqui!
Na medida em que ele falava, ela fazia. Eram palavras, movimentos, sensações sincronizadas.
_Agora você vai pegar as minhas mãos e vai colocá-las na sua cintura. Eu olho pro seu sutiã, louco pra tirá-lo, mas você me recrimina com uma olhada muito feia! Joga os cabelos pra trás. Vem mais pra perto de mim, vem! Vem com esse sorriso de menina, exalando esse cheio de mulher misturado com esse perfume de pimenta que me esquenta dos pés a cabeça e sussurra no meu ouvido nem assim:
_Você não adivinha e nem lê os meus pensamentos. É você quem escreve e realiza todos eles. – disse ela e, em seguida, mergulhou outra vez naquele sonho-amor, enquanto Marisa Monte cantava no rádio-relógio em cima da estante: 
“Que eu quero sentir o teu corpo pesando sobre o meu. Vem, meu amor! Vem pra mim, me abraça devagar, me beija e me faz esquecer...”

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